Saturday, April 29, 2006

Entrevista da semana: Amor

Sim caros leitores. Pelas idas e vindas da vida, nosso repórter já o encontrou algumas vezes.
Não muitas realmente.
Mas nunca tinha pensado em parar para entrevistá-lo (talvez porque antes não era repórter).
Mas desta vez, após um repentino reencontro com ele, conseguiu esta entrevista exclusivíssima e muito descontraída para o nosso blog:

Repórter: E aí Amor, dizem que nos dias atuais há pouco espaço no mercado para você. Você tem conseguido trabalhos?
Amor: Como você sabe eu sou free-lancer. Esta vida de free-lancer é meio difícil, sempre tem seus altos e baixos. Mas apesar de quererem me desvalorizar, tem sempre alguém precisando de mim. As pessoas falam da boca prá fora que o Amor não tá com nada. O negócio é que acham que eu cobro muito caro, então fazem esta propaganda negativa no intuito de pechinchar.
R: Mas seus honorários são meio salgados mesmo...
A: Quem me conhece sabe que não é assim. Sabe que meu serviço é de qualidade e não se arrepende de pagar o preço.
R: Eu conheço gente que já se arrependeu...
A: As pessoas que se arrependem são aquelas que pensam que meu trabalho é permanente. Que você faz um pagamento único e tem o produto para o resto da vida.
R: E não é assim?
A: Lógico que não. Existe uma taxa de manutenção que deve ser paga também. Eu não posso manter um serviço com qualidade sem esta taxa de manutenção. Afinal de contas o trabalho é muito, são muitos clientes.
R: Mudando de assunto, é verdade que de vez em quando você aparece à primeira vista?
A: Não. As pessoas me confundem com uma colega minha, chamada Paixão. Ela aparece muitas vezes à primeira vista, mas é muito volúvel. É verdade que ela é muito boa vendedora e muita gente acha que trabalha para mim, como prospectora de novos negócios.
R: Mas de vez em quando ela faz isso não?
A: Nós nunca trabalhamos juntos. O que acontece é que de vez em quando eu encontro um cliente que passou pelos serviços dela e me procura logo depois. Geralmente os clientes se decepcionam comigo, porque ela se vende como se estivesse a meu serviço e ilude os pobres coitados. Depois eles me procuram me cobrando coisas impossíveis. Eu sou muito profissional. Não iludo ninguém. Não sou bom vendedor. Na verdade eu mostro meu serviço aos poucos e não cobro tão barato. Quem reconhece e entende meu trabalho sabe que é importante ter paciência.
R: Você quer dizer que a Paixão é na verdade uma estelionatária?
A: Não diga isso rapaz! Quer que eu sofra um processo por difamação? (risos) A paixão também tem o seu valor. Ela pode trazer muitos bons momentos na vida de uma pessoa. Só que como ela cobra mais barato, ganha pela quantidade de clientes. Um mesmo cliente pode utilizar o serviço dela muitas vezes na vida. Eu não costumo fazer muitos trabalhos por cliente.
R: E o que você recomenda para quem está interessado em adquirir seus serviços?
A: Meus produtos são adquiridos por pessoas com intenção de montar uma empresa em sociedade, não tem como eu trabalhar para uma pessoa física ou empresa individual. Por isso o cliente precisa observar o sócio com cuidado. Em primeiro lugar, os sócios precisam ter objetivos e interesses em comum. Caso contrário, eu não aceito prestar o serviço. Alguns tentam me convencer oferecendo um pagamento maior, mas sem estas premissas básicas não é possível. Um bom entendimento físico também ajuda muito. Com estes três ingredientes eu consigo oferecer um resultado de altíssima qualidade. Nunca descarte ninguém em que você tenha observado estas características, dê tempo ao tempo e pense com a cabeça fria.
R: Mas e toda aquela euforia inicial, também não é necessária?
A: Euforia demais é sinal de que você está sendo atendido pela Paixão. E como eu já disse, raramente um cliente aceita meus serviços depois de ter passado pelos dela. Alguns que já tiveram a oportunidade de me conhecer realmente, às vezes reconhecem um sócio com potencial para compartilhar meu produto. Este reconhecimento pode trazer um pouco de euforia. Neste caso é natural.
R: Me fale um pouco de você. Tem gente que diz que Amor é sofrimento. Isso é verdade?
A: Quem diz isso é porque não conhece meu trabalho. Provavelmente passou pelas mãos de minha colega Paixão. Amor na verdade é felicidade, paz e liberdade. Se não for assim você pode estar comprando gato por lebre meu amigo.
R: Mas e o Amor Platônico?
A: Amor Platônico é outro sujeito! Só é meu xará, mas como você pode ver os sobrenomes são diferentes. Ambos odiamos quando nos confundem! (risos) A gente se fala de vez em quando mas nunca tivemos oportunidade de trabalhar para o mesmo cliente.
R: Puxa, dessa eu não sabia. E o que você costuma fazer nas horas vagas?
A: Não tenho muito tempo vago. Geralmente estou muito ocupado. Mas gosto muito de ouvir música e assistir filmes. Principalmente os que falam sobre mim. De vez em quando é bom massagear o ego (risos).
R: E a grande pergunta: Você já amou?
A: Não. Santo de casa não faz milagre (risos). Mas na verdade, vou fazer uma confissão: apesar das desavenças, tenho um amor platônico pela Paixão! Só que ela não me dá nenhuma confiança...
R: Para finalizar, o que você gostaria de dizer aos nossos leitores?
A: Bem vou aproveitar e fazer uma propaganda usando um verso de uma banda de quem eu gosto muito: "All you need is love"
R: "All we need is love"...
A: "Love is all we need" (risos)
R: Grande abraço, muito obrigado pela entrevista. A gente se esbarra por aí de novo!
A: Com certeza...

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