Recebemos muitas sugestões dos leitores do blog sobre quem entrevistar. Uma grande solicitada foi esta entrevista que apresentamos agora. Para conseguirmos esta entrevista exclusivíssima contamos com a ajuda de um dos amigos do editor que, se não é um ET tem um grande parentesco com um deles. Para não ser reconhecido o ET solicitou que nossa equipe fosse encaminhada vendada para o local da entrevista. Viajamos por mais de três horas e mudamos de veículo cinco vezes durante o percurso. Apesar de cansativa a viagem valeu a pena pelas informações inéditas que conseguimos, prá você leitor do blog.Repórter: Olá ET, como é seu nome verdadeiro?
ET: Pode me chamar de ET mesmo. É impossível escrever meu nome com os alfabetos existentes por aqui.
R: Pois não. E então ET, o quê você veio fazer aqui na Terra?
E: Ora, vim conquistar o mundo (risos). Brincadeira. Cara, isso é uma longa história...
R: Conta para os nossos leitores!
E: Eu estava brincando com minha antena de plasma. Então eu sintonizei numa sala de bate papo da internet. Acabei conhecendo uma terráquea e fiquei apaixonado.
R: E aí você pegou sua nave e veio para a Terra encontrá-la?
E: O que é isso rapaz! Você acha que é fácil assim sair de Marte? Tem toda uma burocracia. Não é qualquer um que consegue uma passagem para a Terra. Tive de me inscrever no serviço de inteligência para conseguir um visto e uma passagem.
R: Perái, quer dizer que você veio de Marte?
E: Sim, porquê? De onde mais eu poderia ter vindo?
R: Mas nosso blog fez uma entrevista com um fantasma que disse que Marte era um planeta morto!
E: E você acredita em fantasma...
R (sem graça): E qual era o objetivo do serviço de inteligência de Marte na Terra? Recolher informações sobre nossas forças armadas?
E: Na verdade nossa missão tinha como objetivo descobrir uma receita de acarajé...
R: Não acredito! Quer dizer que vocês viajaram tanto, para isso?
E: Você não tem idéia do valor de um acarajé em Marte! Os europeus descobriram a América só porque queriam a pimenta da Índia...
R: Bem... Tem razão. Voltando ao assunto, você conseguiu alguma coisa com a gatinha da internet?
E: Que nada cara. Ela só queria sexo. Essas mulheres terráqueas são muito volúveis. Pior que eu achei ela maneira, já tava apaixonadinho... Foi uma grande decepção!
R: E você não pretende voltar para Marte?
E: Que nada cara. Aqui é muito mais divertido.
R: E o que você está fazendo no momento?
E: Bem, eu peguei umas economias e montei uma barraquinha de camelô lá em Madureira. Tô vivendo uma vida tranquila...
R: Mas as pessoas não se assustam por você ser um ET?
E: Na cidade grande você passa e ninguém olha prá sua cara. No interior o pessoal já repara mais. Você já ouviu falar de alguém que viu ET ou disco voador no Rio de Janeiro ou em São Paulo? As pessoas não tão nem aí umas prás outras. Só vêem a gente no interior. Você se lembra do ET de varginha? Ele era meu primo, coitado.
R: Quer dizer que ele existiu mesmo? O que aconteceu com ele? As pessoas que o encontraram disseram que ele estava com uma cara de doente, assustado...
E: Na verdade ele já estava há muitos anos vivendo em varginha. Vivia tomando cachaça e fumando fumo de rolo com os capiaus da cidade. O negócio é que fígado de ET não é resistente como o de mineiro. Então ele pegou uma cirrose hepática e morreu.
R: E foi aí que o exército encontrou ele?
E: É, e mandaram pro instituto médico legal.
R: E o que aconteceu com o corpo?
E: A família não queria que o corpo ficasse exposto em outro planeta. Providenciamos uma maneira de trazê-lo de volta.
R: Organizaram uma operação de resgate?
E: Não foi preciso todo este trabalho. Foi só molhar a mão de um funcionário do hospital aqui, outro ali, que foi fácil liberar o corpo como indigente.
R: E o exército abafou o caso?
E: Abafou porque um dos caras que liberou o corpo era genro de um general e fazia parte de um esquema de tráfico de órgãos no hospital. Esquema de gente graúda. O pessoal resolveu abafar o caso do ET porque era coisa pequena...
R: E o caso de Roswell, a área 51, nos Estados Unidos?
E: Bem , desse eu não sei muita coisa. Sei que era um pessoal que tava viajando prá Disneylândia e o disco caiu. Dizem que foi um ataque terrorista. Foi uma grande tragédia lá em Marte. O pessoal ficou até meio traumatizado e as viagens para os Estados Unidos diminuíram muito.
R: Reparei que você fala muito bem o português. Aprendeu no serviço de inteligência?
E: Nada, aprendi vendo novela da Globo. Gostei muito de "Roque Santeiro" e "O Dono do Mundo". O Felipe Barreto (personagem de Antônio Fagundes) era demais. As novelas de hoje estão muito caídas...
R: Você acha que falta um pouco de temática extraterrestre nas novelas?
E: Com certeza. Nós nos sentimos discriminados. O cinema americano fala muito de nós, mas somos muito estereotipados. Não falam do nosso dia a dia, de nossas crises existenciais. O amor entre seres de outro planeta então é tido como um tabu. Mas tem uns filmes muito bons, eu gosto do "Inimigo Meu". É um filme muito bonito, mas os humanos acabam sempre vendo pelo lado do estereótipo.
R: Você se sente discriminado na Terra?
E: Posso falar em relação ao Brasil que é onde vivo. Aqui o preconceito velado é muito grande. O pessoal fala que não tem preconceito. Mas os Ets geralmente ficam com os piores empregos, você não vê muitos ETs com grande projeção social. E políticos representando ETs, quase não temos. Quando temos eles mancham nossa imagem com falcatruas...
R: Quer dizer que tem ETs na política? Poderia citar um?
E: E você acha que o Severino Cavalcanti veio de onde com aquela çabeça?(risos) Brincadeira, não gostaria de citar nomes, sei que é difícil com tantos bichos exóticos no congresso, mas repare bem em algumas figuras. Você já viu quantos dedos tenho na mão? (mostra seus quatro dedos)
R: Mudando de assunto, e quanto à vida amorosa? Você já se recuperou da decepção com a menina da internet?
E: Ah já! Bem eu conheci uma menina lá no trabalho, no camelódromo, e acho que pode rolar uma coisa maneira.
R: Mas você é correspondido?
E: Não sei. A gente andou ficando umas vezes. Vamos ver no que dá. No momento eu estou bem tranquilo, tocando uns projetos.
R: Que projetos?
E: Fora a barraquinha, eu estou treinando prá tocar na bateria da Império Serrano. Tô afim de fazer umas aulas de surf também. Sabe como é né, lá em Marte o mar é totalmente flat, não rola onda.
R: Tocar na bateria, você não acha que vai chamar um pouco a atenção no desfile?
E: E você acha que com todos aqueles peitos e bundas alguém vai olhar pro baixinho do ET na bateria. (risos)
R: E o que você está tocando?
E: No momento estou no surdo que é mais fácil. Mas meu sonho é tocar cuíca.
R: E como você conseguiu uma vaga?
E: Ah o pessoal lá da comunidade se amarra na minha.
R: Você conhece o pessoal da comunidade?
E: É lógico, eu moro na Mangueira. Com tanto verde e rosa, lá fica mais fácil prá eu me camuflar! (risos)
R: E você nunca teve problemas com os traficantes?
E: Uma vez um gerente do morro queria que eu traficasse umas armas laser lá de Marte. Me ofereceu uma bolada, dava prá eu sair dessa vida de camelô e ir morar lá na zona sul com a minha preta. Mas eu falei prá ele que era trabalhador, que não queria me meter nessas coisas e ele me liberou.
R: E você acha que a violência no Rio tem jeito?
E: Bem primeiro o povo tem que tomar vergonha na cara. Além de eleger melhor seus governantes as pessoas tem que trabalhar prá melhorar. Não adianta eleger um cara e ficar cobrando. Todo mundo tem que fazer a sua parte.
R: O quê a gente pode fazer?
E: Acho que cada um tem que fazer seu trabalho bem feito sem se aproveitar dos outros. Professores têm que educar corretamente, policiais têm que ser éticos. Não adianta reclamar do salário. Tem que trabalhar direito apesar do salário. Tem gente que vive com muito menos e exerce suas funções com dignidade.
R: Mas você não vende produtos pirata na sua barraca?
E: Pirateados e contrabandeados de Marte... Mas a gente não pode fazer outra coisa. Isso é uma forma de equilíbrio. As grandes empresas e os países ricos querem massificar tudo com seus produtos. Criar uma sociedade em que a marca é mais importante do que o conteúdo. O resultado é esse. O feitiço virando contra o feiticeiro.
R: Em Marte é diferente?
E: Não, o pessoal é tão idiota quanto.
R: Por isso é que você ficou por aqui?
E: A verdade é que eu sou apaixonado pela mulher brasileira. Gosto muito da comida daqui também. Lá em Marte o pessoal é meio sem sal. Por isso tem um monte de marciano dono de pousada em Búzios e em Porto Seguro!
R: Bem ET, nosso tempo está acabando, você tem alguma mensagem prá deixar aos nossos leitores?
E: Telefone, casa...
R: Grande abraço?
E: Prá você e os leitores do blog também!